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lunes, 7 de octubre de 2013

Informação Técnica: Problemas Causados pela Super Calagem - NA SALA COM GISMONTI

Foto: Paulo Kurtz in CNPTIA
A neutralização da acidez do solo tem permitido eliminar o alumínio (Al³+) tóxico e adicionar cálcio (Ca²+) e magnésio (Mg²+). Com isso, o solo é preparado para receber os fertilizantes que vão adicionar os nutrientes mais exigidos pelas plantas. Com a calagem, o pH aumenta e, nas condições de 6,0 a 6,5, as disponibilidade dos nutrientes afloram. Resultados de pesquisas, de lavouras, onde foi aplicada a calagem, demonstram aumentos de produtividade por diversas culturas. Isso entusiasmou os agricultores a aplicar mais calcário na lavoura, ou aplicá-lo em todas as safras, ou todos os anos de exploração da terra. Surge a dúvida: essa aplicação maciça de calcário, a chamada "super calagem", é um benefício ou será, futuramente, um grande problema? Acima de pH 7 já começa a aparecer indisponibilidade de micronutrientes, como o zinco.

Com a calagem, além de eliminar o Al³+ tóxico, estamos adicionando Ca²+ e Mg²+ que são atraídos fortemente pelos coloides do solo. Além da calagem, a aplicação de potássio (K+) é feita no solo. O excesso de Ca e Mg dificulta a absorção do K. A calagem excessiva, sem incorporação, faz com que a absorção de K seja dificultada, principalmente, quando a planta ainda não tem um sistema radicular bem desenvolvido.

A recomendação da quantidade de calcário deve obedecer à uma análise do solo. Uma nova análise deve ser feita dois à três anos após a aplicação do calcário. O objetivo é evitar aplicações desnecessárias que levariam à super calagem. A super calagem seria tão prejudicial quanto à acidez elevado e seria de difícil correção.  Ela provocaria a mineralização em excesso da matéria orgânica, diminuindo a sua quantidade no solo.

A FEPAGRO - Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócios do RS cita alguns casos em que produtores reaplicam o calcário após três anos, mesmo com os benefícios ainda presentes da calagem realizada anteriormente, favorecendo a super calagem nos primeiros centímetros. Não houve a neutralização da acidez da camada de solo abaixo de 10 cm. Isso limita o crescimento e desenvolvimento do sistema radicular, em área e profundidade, apenas para camada 0-10 cm.

Idêntica posição tem a EMATER de Minas Gerais. Diz, ela, que a recomendação de calagem é para incorporação do calcário na profundidade de 20 cm de solo. Mas a calagem superficial incorpora calcário apenas na camada 0-10 cm. Há uma super calagem e uma elevação demasiada do pH do solo. Isso seria resolvido com aplicação de ácidos e matéria orgânica, que se tornam práticas trabalhosas e onerosas.

VERONESE (2013) pesquisador da Fundação MT, no Programa de Monitoramento da Adubação (PMA) cita que altas doses de calcário ou a sua má incorporação no solo têm proporcionado o aparecimento, nas plantas, de deficiência de manganês (Mn). Esse problema é agravado no sistema de semeadura direta, pois usa-se a calagem superficial, com probabilidades de super calagem nos primeiros centímetros da camada de solo.

Segundo SANDIM (2012), solos com pH elevado e com muito Ca²+ trocável, natural ou advindo de uma super calagem, são favoráveis à retrogradação do fósforo dos fosfatos adicionados ao solo.
Por esse motivo não deve ser aplicado fosfatos solúveis junto com o calcário. Deve haver um intervalo de 30 dias, no mínimo, entre a aplicação do calcário e do fosfato. Mas nunca juntos.

Por sua vez, CAIRES (2013) cita que para não haver super calagem, a aplicação do calcário, em sistema de plantio direto, deve ser recomendada somente para solos com pH em CaCl2 abaixo de 5,6 ou saturação por bases abaixo de 65%, na camada de 0-5 cm do solo.

Já Goedert (2011), pesquisador da Embrapa, alerta que a super calagem e a monocultura, sem buscar a conservação, provocam um desgaste do solo, traduzindo-se em perdas ambientais e econômicas, pois a recuperação é cara.

Fonte: Na Sala com Gismonti

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