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martes, 23 de abril de 2013

Chaco: Saga da soja ressurge no Chaco - GAZETA DO POVO

Foto: Gazeta do Povo / José Rocher
Cultivo chega à região semiárida que abrange metade do Paraguai. Sobra espaço para experimentos de até 4,5 mil hectares.


Uma das regiões menos povoadas da América do Sul passa por mudanças drásticas com a chegada da soja. O Chaco paraguaio tem clima seco capaz de empurrar a população para o sul e o leste do país, mas recebe chuva suficiente para experimentos com a oleaginosa. Os produtores pioneiros avaliam que o cultivo é viável, considerando marcas de 1,5 mil quilos por hectare – metade do volume alcançado em regiões agrícolas consolidadas do continente – e a cotação de mais de US$ 500 por tonelada sustentada na Bolsa de Chicago.

Em 1,2 mil quilômetros de estradas pelo Chaco paraguaio, a Expedição Safra Gazeta do Povo apurou que a região entra num período de efervescência. O sintoma mais claro é o salto nos preços das terras, ainda relativamente baratas. Áreas que custavam entre US$ 100 e 200 por hectare são cotadas por mais de US$ 300, em zonas que registram mais de 500 milímetros de chuva ao ano – menos da metade do volume alcançado no leste do país, onde a soja se expandiu nos últimos quarenta anos e continua tomando espaço das pastagens.

Foto: Gazeta do Povo

As lavouras de soja ainda são raras na região, principalmente porque neste ano as chuvas chegaram dois meses mais tarde – a partir de fevereiro. Terras preparadas nem chegaram a ser plantadas. Foi o que ocorreu nos campos experimentais da cooperativa Fernheim, no distrito de Filadelfia (no departamento de Boquerón). “No ano passado plantamos 20 hectares em janeiro e colhemos em maio: 1.250 quilos por hectare. Agora, preparamos 100 hectares, mas só registramos 15 milímetros de chuva até janeiro. Então, não chegamos nem a plantar”, resume o agrônomo da empresa, Andre Klassen.

“Temos anos com boa chuva no verão e outros com praticamente nenhuma chuva. Há variedades de sementes que estão sendo adaptadas ao Chaco. A soja vai ser um opção”, disse o gerente geral da Fernheim, Helmut Goerzen. Hoje, a criação de gado de corte e de leite e a produção de amendoim sustentam a região.

A 25 quilômetros dali, na localidade Loma Plata, entre plantações de amendoim que neste ano devem render um terço a menos que o previsto por falta de chuva, lavouras de soja com potencial para mais de 2 mil quilos por hectare estão em florescimento. Os gêmeos Elmer e Erland Hiebert comemoram o vigor de 50 hectares plantados. “O futuro é a rotação da bovinocultura com a produção agrícola”, afirma Elmer.

A produção será vendida para a cooperativa Chortitzer, a maior da região, especializada na produção de carne de gado. A empresa vai processar os grãos para produção de óleo e farelo, novo ingrediente para a alimentação animal. Não houve vendas antecipadas, mas a expectativa é de receita próxima de US$ 380 por tonelada para os produtores, com margem de 20%.


O agrônomo da Chortitzer que presta assistência técnica aos sojeiros, Jenny Dueck, conta que as áreas experimentais somam perto de 500 hectares. A expectativa geral, relata, é repetir marcas de 1,5 mil quilos por hectare. “Com um custo que equivale a 1 mil quilos por hectare, esse resultado é rentável”, avalia.

Ainda são necessárias sementes mais resistentes à falta de chuva para que a soja possa se consolidar, avalia o presidente da Chortitzer, Gustavo Zawatzky. Faltam pesquisas para traçar o perfil do solo e do clima da região, aponta.

Fonte: Gazeta do Povo / Expedição Safra 2012/13
Por: José Rocher, enviado especial


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