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miércoles, 24 de octubre de 2012

Informação Técnica: Perdas de Nutrientes pelas Queimadas - NA SALA COM GISMONTI


As queimadas trazem sérios prejuízos ao solo e à agricultura. Embora exigida liberação para execução das queimadas controladas, isto significa que elas são permitidas. As queimadas causam danos à fertilidade do solo - empobrecendo-o em nutrientes, ao meio ambiente, à saúde pública, aos animais e à vegetação. Temos duas Leis de Crimes Ambientais: uma relacionada aos crimes ambientais contra a flora e a outra contra a fauna. Permitem-se e autorizam-se queimadas contra duas leis que protegem a fauna
e a flora. Afora todos os problemas que as queimadas causam, a perda de nutrientes do solo é elevada, sem falar na emissão de gases de efeito estufa.

A Tabela 1, usando os dados de Oliveira et al. (2005), dá informação sobre a temperatura do fogo e as perdas de NPK mais micronutrientes, em cinco sistemas: floresta, pasto com forrageira Jaraguá, campo, palhada de milho e cerradão.

Thung e Oliveira (1998 - citados por Oliveira et al.) dizem que o feijão precisa de 100 kg/ha de N. Então, estas perdas de N, pela queimada, significam de 6 a 15 cultivos de feijão perdidos. A uréia, que possui 45% de N, significaria perdas de 1,3 a 3,3 toneladas desse nitrogenado. No caso do sulfato de amônio (20% de N) significariam perdas de 3 a 7,5 t/ha do produto.

Existem leguminosas que fixam o N do ar e o incorporam no solo, numa quantidade de 140 kg/ha. Então, seriam precisos de 4 a 11 cultivos destas leguminosas, conforme o ambiente.
As perdas com fósforo são maiores, pois as queimadas, conforme o ambiente, podem ocasionar perdas de 4 a 11 kg/ha P. Se o solo, em média, contém 2 mg/dm³ P ou 4 kg/ha (mg/dm³ x 2 = kg/ha), numa única queimada seria eliminado todo o fósforo disponível existente no solo. Numa palhada de milho, as perdas podem atingir 4 kg/ha de P. Nessa palhada, as perdas de potássio chegam a 42 kg/ha e 52% de nutrientes.
Com as altas temperaturas das queimadas, há volatilização de nutrientes.

A cinza formada da queima atinge até 400 kg/ha e há um aumento na concentração de K, Ca e Mg na camada superficial do solo, mas que se perde com o passar do tempo, levada pelos ventos e pelas chuvas.
Nas queimadas, a maior perda é com o nitrogênio que vai para a atmosfera em forma de fumaça. Outros nutrientes são liberados juntos.

Pivello et al. (1992  citados pela Embrapa) avaliaram a quantidade de nutrientes, ou seja, N, P, K, Ca, Mg e S, que foram transferidos para a atmosfera durante seis queimadas experimentais em campo-cerrado de Emas, em Pirassununga, SP. Comparam a quantidade de nutrientes na vegetação herbáceo-arbustiva e na cinza resultante da queimada. As médias de perdas de nutrientes foram as seguintes: 20,6 kg N, 1,6 kg P, 7,1 kg K, 12,1 kg Ca, 3,0 kg Mg e 59% de S.

Verifica-se, portanto, que as perdas de N, P, e K são semelhantes às perdas verificadas por Oliveira et al (2005), ou seja, maior quantidade de N, depois K e finalmente o P.
A queimada traz diversas desvantagens quando utilizada. A cobertura do solo é  responsável para evitar as perdas de nutrientes e matéria orgânica pela ação das águas das chuvas e pela erosão eólica. Além disto, a cobertura vegetal é responsável pelo aumento do teor de matéria orgânica do solo, formada pela decomposição de galhos e folhas que caem no solo.

Quem perde com isto é o produtor que deverá utilizar quantidades maiores de fertilizantes para compensar, e isto se traduz em aumento do custo da lavoura. Outro prejuízo das queimadas é a emissão de gases de efeito estufa como o CO2, NO2 e enxofre (S), causando um desequilíbrio no meio ambiente. Alguns apontam que as queimadas são responsáveis por 70% das emissões de CO2 para o ar.

Fonte: Na Sala com Gismonti

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